NAC - Núcleo de Ação Cultural Flávio de Carvalho |
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Sábado, Junho 19, 2004
em PROJETO "DOSSIE GONZAGUINHA" Dias: 19/06, às 21 horas e 20/06 às 18 horas Alem de Zé Renato, irão participar Rita Ribeiro, Cida Moreira e Daniel Gonzaga. SESC POMPEIA Rua Clelia, 93 São Paulo - SP Fone: (011) 3871-7700 Comente aqui: Quarta-feira, Junho 16, 2004
em CURITIBA - PR Dia 18 de junho 20h30 Teatro do SESC da Esquina Rua Visconde do Rio Branco, 969 Curitiba - PR Informações: 41- 3226500 ramal 351 Sua presença será muito bem vinda!!!!! :-) Comente aqui: Comente aqui: Terça-feira, Junho 15, 2004
CENTRO CULTURAL CARIOCA apresenta ZÉ RENATO
em ORLANDO MAVIOSO sobre as interpretações de ORLANDO SILVA Participações de: Marcos Nimrichter - Acordeon Romulo Gomes - Baixo Acústico João Castilho - Violão/Guitarra Beto Cazes - Percussão Arranjos - Zé Renato Direção - Flavio Marinho Local: CCC Rua do Teatro, nº 37 - Centro Rio de Janeiro - RJ. Abertura da casa: 19 horas Início do Show: 21 horas Preço: R$ 22,00 Informações: 2252-6468 Classificação: 18 anos Comente aqui: Quarta-feira, Maio 26, 2004
![]() Saca só: na quarta (19/05), assisti Danilo Caymmi e Arranco de Varsóvia. Na quinta (20/05), Teresa Cristina e Dona Ivone Lara. Fiquei impressionada com o talento do Arranco de Varsóvia, um grupo vocal, que canta sambas. Impressionante! Sensacional! Danilo Caymmi, além de uma baita voz (Ô voz!!!!!!), tem um baita carisma, é muito simpático e muito divertido, além de ser pisciano, como eu... ehehehehehehehehe... Cantou um belíssimo repertório em homenagem ao pai, Dorival, além de algumas músicas de sua própria autoria, entre elas, "Andança", que não poderia faltar. Muitíssimo bem acompanhado pelo não menos talentoso Arranco de Varsóvia, que fez um show à parte, ao mostrar uma canção do novo CD, em que contam a história de um rapaz que perdeu um grande amor por uma questão fonética: "é badêjo ou badéjo?" Foram aplaudidos com fervor, e por longo tempo. A música é super criativa e super engraçada. E ficou a dúvida no ar... afinal de contas, como se pronuncia? Badêjo ou badéjo???? Ainda bem que eu não como peixe... ahahahahahahahahahahahaha... Segundo eles, a pronúncia correta deve ser "badêjo", porque senão a pronúncia correta do nome do grupo de pagode seria "Moléjo", e não "Molêjo"... ahahahahahahaha... Sem contar que o grupo ainda levou uma canção de Dorival Caymmi, que ele começou a fazer na década de trinta e terminou em 1999. Música difícil essa, hein? ahahahahahahahaha... Cantaram ainda duas inéditas de Dorival Caymmi, que também estarão no próximo CD: "Falou com a moça?" e "E o que me importa se eu tiro o domingo pra sambar?" Olha... pra quem não conhece, eu recomendo muito o Arranco de Varsóvia. É maravilhoso! Foi a primeira vez que assisti, e fiquei encantada!!! Outra que me encantou foi a Teresa Cristina. Ainda não tinha assistido, e gostei demais! Uma voz linda, macia, gostosa de ouvir. Cantou músicas suas, e de Paulinho da Viola. Cantou a minha favorita: "Coração Leviano". Arrasou!!!!! O grande momento da noite, foi a entrada majestosa de Dona Ivone Lara, provando que quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É rainha, sem sombra de dúvida. Oitenta e dois anos de pura alegria. É dona de uma simpatia e de uma simplicidade indescritíveis. É maravilhosa. Cantou, brincou, dançou, sambou, graciosa como ela só. É gente nossa!!!!!! Cantou, encantou, deu show! Conquistou. Foi reverenciada pelo público, pelos músicos (sensacionais) que a acompanhavam (liderados pelo divertidíssimo Pedro Miranda), e por Teresa Cristina. Foi emocionante. Ela é muito querida! Fico arrepiada só de lembrar. Quase no fim do show, já tendo cantado todo o repertório, virou-se para os músicos, e perguntou: "E aí, meus colegas, o que mais temos aí?" Sem pestanejar, responderam: "O que a senhora quiser!!!" A platéia pedindo músicas, e ela comentando: "ah... vocês só pedem músicas que não estão no repertório..." Ao que alguém respondeu, imediatamente: "Quem sabe, faz ao vivo!" Dona Ivone Lara, parou, pensou... olhou pros músicos, e, como quem é rainha nunca perde a majestade, colocou as mãos na cintura e falou: "Quer saber? Eu toco!!!! Me dá um dó aí..." Ela é danada!!! Nem preciso dizer mais nada, né? Ela cantou o que o pessoal pediu, levou a platéia ao delírio, e era perceptível a admiração dos músicos por ela, que tocavam, sem tirar os olhos encantandos dela. Teresa Cristina, também sem conseguir esconder a sua admiração, juntou-se à nossa rainha, cantando os belos versos de "Tendência". Foi mágico. Encerraram o show, num dueto empolgante, cantando "Aquarela Brasileira", de Silas de Oliveira, do Império Serrano: "Vejam... essa maravilha de cenário... é um episódio relicário... que o artista num sonho genial... escolheu para esse Carnaval..." E que cenário!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Que Carnaval!!!!!!!!!!!!! Aplaudidas de pé, por uma platéia empolgadíssima, satisfeitíssima e com gosto de quero mais!!!! Saí do show emocionada, e com aquela sensação deliciosa e impagável de ser brasileira. Com orgulho da música do meu País. Não é em qualquer lugar, que um músico improvisa, atendendo aos pedidos do público. Não é em qualquer lugar que se tem Danilo Caymmi (Ô voz!!!!!!!!), Arranco de Varsóvia, e Teresa Cristina. E, acima de tudo, não é em qualquer lugar que se tem Dona Ivone Lara, cantando, dançando, emocionando e reinando com graça. Êêêêê Brasil!!! Tá. Não temos sido muito felizes no quesito "política". Não temos sido muito felizes no quesito "justiça social", nem em qualquer quesito relacionado à "justiça". Mas, sem sombra de dúvida, somos os mais felizes no quesito música, talento e calor humano. Não tem pra ninguém!!!!! (Paulinho da Viola) Trama em segredo teus planos Parte sem dizer adeus Nem lembra dos meus desenganos Fere quem tudo perdeu Ah, coração leviano Não sabe o que fez do meu Este pobre navegante Meu coração amante Enfrentou a tempestade No mar da paixão e da loucura Fruto da minha aventura Em busca da felicidade Ah, coração teu engano Foi esperar por um bem De um coração leviano Que nunca será de ninguém Que nunca será de ninguém... (Dona Ivone Lara - Jorge Aragão) Não entendi o enredo Desse samba amor Já desfilei na passarela do teu coração Gastei a subvenção Do amor que você me entregou Passei pro segundo grupo e com razão Passei pro segundo grupo e com razão Meu coração carnavalesco Não foi mais que um adereço Teve um dez em fantasia Mas perdeu em harmonia Sei que atravessei um mar De alegorias Desclassifiquei o amor de tantas alegrias Agora sei Desfilei sob aplausos da ilusão E hoje tenho esse samba de amor Por comissão Fim do carnaval Das cinzas pude perceber Na apuração perdi você (Canção da Partida) (Dorival Caymmi) Minha jangada vai sair pro mar Vou trabalhar, meu bem-querer Se Deus quiser, quando eu voltar do mar Um peixe bom eu vou trazer Meus companheiros também vão voltar E a Deus do céu vamos agradecer A estrela d'alva me acompanha Iluminando o meu caminho Eu sei que nunca estou sozinho Pois tem alguém que está pensando em mim (Zé Keti) O azar é seu Em vir me procurar Me abandona, me deixa Não quero mais ver A luz do seu olhar Você manchou o lar que era feliz E agora quer voltar Leviana Sinto muito, mas vai tratar de sua vida Leviana Precisando eu te posso dar uma guarida Mas o meu lar Sente vergonha como eu O nosso amor morreu (Silas de Oliveira) (Samba enredo do Império Serrano, em 1964) Vejam Essa maravilha de cenário É um "Episódio Relicário" Que o artista num sonho genial Escolheu para esse carnaval E o asfalto como passarela Será a tela Do Brasil em forma de aquarela Passeando pelas cercanias do Amazonas Conheci vastos seringais No Pará a Ilha de Marajó E a velha Cabana do Timbó Caminhando ainda um pouco mais Deparei com lindos coqueirais Estava no Ceará Terra de Irapuã, de Iracema e Tupã Fiquei radiante de alegria Quando cheguei à Bahia Bahia de Castro Alves, do acarajé Das noites de magia, do candomblé Depois de atravessar as matas do Ipú Assisti em Pernambuco À festa do frevo e do Maracatu Brasília tem o seu destaque Na arte, na beleza e arquitetura Feitiço de garoa pela serra São Paulo engrandece a nossa terra Do leste, por todo centro-oeste Tudo é belo e tem lindo matiz O Rio dos sambas e batucadas Dos malandros e mulatas De requebros febris Brasil, essas nossas verdes matas Cachoeiras e cascatas De colorido sutil E esse lindo céu azul de anil Emoldura uma aquarela ao meu Brasil Larararará, Lalalalará... Vai buscar quem mora longe Sonho meu..." "Eu vim de lá Eu vim de lá pequenininho Mas eu vim de lá pequenininho Alguém me avisou Prá pisar nesse chão devagarinho..." "Eu guardo em mim Dois corações Um que é do mar Outro das paixões..." "Eu vou pra Maracangalha Eu vou Eu vou de uniforme branco Eu vou Eu vou de chapéu de palha Eu vou Eu vou convidar a Nália Eu vou Se a Nália não quiser ir Eu vou só Eu vou só Eu vou só Se a Nália não quiser ir Eu vou só Eu vou só Eu vou só sem a Nália Mas eu vou..." "Portela Eu nunca vi coisa mais bela..." E tudo isso, foi só um trechinho do que eu ouvi, vi e vivi na semana passada... ;-) Essa semana, o SESC ataca de "Hip Rock", com direito a pista de "Skate" e tudo o mais. Na próxima semana, mais precisamente no dia 05 de junho, teremos o show de Zeca Baleiro e Verônica Sabino. Estarei lá. ;-) Comente aqui: Segunda-feira, Maio 03, 2004
Ana Jarvis O próximo registro está no início do século XVII, quando a Inglaterra começou a dedicar o quarto domingo da Quaresma às mães das operárias inglesas. Nesse dia, as trabalhadoras tinham folga para ficar em casa com as mães. Era chamado de "Mothering Day", fato que deu origem ao "mothering cake", um bolo para as mães que tornaria o dia ainda mais festivo. Nos Estados Unidos, as primeiras sugestões em prol da criação de uma data para a celebração das mães foi dada em 1872 pela escritora Júlia Ward Howe, autora de "O Hino de Batalha da República". Mas foi outra americana, Ana Jarvis, no Estado da Virgínia Ocidental, que iniciou a campanha para instituir o Dia das Mães. Em 1905 Ana, filha de pastores, perdeu sua mãe e entrou em grande depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a idéia de perpetuar a memória de sua mãe com uma festa. Ana quis que a festa fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas, com um dia em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães. A idéia era fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais. Durante três anos seguidos, Anna lutou para que fosse criado o Dia das Mães. A primeira celebração oficial aconteceu somente em 26 de abril de 1910, quando o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado. Rapidamente, outros estados norte-americanos aderiram à comemoração. Finalmente, em 1914, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-1921), unificou a celebração em todos os estados, estabelecendo que o Dia Nacional das Mães deveria ser comemorado sempre no segundo domingo de maio. A sugestão foi da própria Anna Jarvis. Em breve tempo, mais de 40 países adotaram a data. Anna passou praticamente toda a vida lutando para que as pessoas reconhecessem a importância das mães. Na maioria das ocasiões, utilizava o próprio dinheiro para levar a causa a diante. Dizia que as pessoas não agradecem freqüentemente o amor que recebem de suas mães. "O amor de uma mãe é diariamente novo", afirmou certa vez. Anna morreu em 1948, aos 84 anos. Recebeu cartões comemorativos vindos do mundo todos, por anos seguidos, mas nunca chegou a ser mãe. Fonte: Portal da Família Comente aqui: Sexta-feira, Abril 30, 2004
DIVULGAÇÃO SHOWS DO ZÉ RENATO
MAIO/2004 * Dia 01º - SESC Maceió - AL * Dia 14 - Belo Horizonte - MG (falta o nome do teatro) * Dia 28 - Itaipu - RJ __________________________________________________ JUNHO/2004 * Dias 02, 09, 16, 23 e 30 - Centro Cultural Carioca - RJ * Dia 18 - SESC da esquina Curitiba - PR __________________________________________________ * * * Quem for, não deixe de comentar aqui como foi!!!! :-) CÂNDIDAS NEVES (Zé Renato - Nei Lopes) Lua cheia que ilumina meu caminho Diz a ela que eu quero ficar mais sozinho Bem quietinho, contemplando o firmamento Abraçado com ela no meu pensamento Lua, diz que estou Passando uma fase minguante Preamar chegou Só posso voltar se baixar a maré Mas a gente só Olhando um pouquinho distante É que vê melhor Se o mar vai mudar ou não vai mais dar pé A solidão Não é lava incandescente Porque não ferve Não estronda e não se vê borbulhar Sua visão Me vem mais suavemente Cândidas neves Escorrendo sob o claro luar Lua cheia clareou Minha estrada Lua cheia, tua luz Prateada ![]() Comente aqui: Quarta-feira, Abril 28, 2004
O N.A.C. INFORMA: * O PRAZO PARA ENTREGA DAS DECLARAÇÕES DO IMPOSTO DE RENDA ENCERRA NA SEXTA-FEIRA, DIA 30 DE ABRIL! O N.A.C. DIVULGA: no SESC - BARRA MANSA - RJ. DIA 30 DE ABRIL DE 2004 - OS INGRESSOS JÁ ESTÃO À VENDA!!!! - MAIORES INFORMAÇÕES, PELO TELEFONE: (24) 3323-1352 IMPERDÍVEL!!!!!!!!! Comente aqui: Segunda-feira, Abril 19, 2004
Comente aqui: Quinta-feira, Abril 08, 2004
1 MILLIET, Sérgio. Flávio de Carvalho in Flávio de Carvalho, catálogo da 17a. Bienal de São Paulo. São Paulo: 1983, p. 65. 2 MARTINS, Wilson. História da inteligência brasileira. São Paulo: USP, 1978, p. 500. 3 O Estado de S. Paulo. São Paulo, 9 de junho de 1931, p. 6. 4 MARTINS, Wilson, op. cit., p.500. 5 CARVALHO, Flávio de. Experiência número 2. São Paulo: Irmãos Carvalho, 1931. [Obra identificada no corpo do texto pela sigla E2 seguida pelo número da página] 6 Richard Schechner começou sua carreira de diretor usando as teorias desenvolvidas por Allan Kaprow, as quais não viam limite entre a arte, a música e o teatro. Baseando-se, por sua vez, nas teorias de Jonh Cage, Kaprow desenvolveu seus enviroments cujos visitantes tornaram-se parte integral das peças. Schechner aplicou o termo ambientalista para seu teatro porque o seu primeiro princípio cênico é criar e usar os espaços. Literalmente esferas de espaços, espaços que contém, ou envolvem e relacionam ou tocam todas as áreas onde a platéia e os performers atuam. Enviromental Theatre. New York: Randon House, 1995, p. 2. 7 ZANINI, Walter. Introdução a Flávio de Carvalho in Flávio de Carvalho, catálogo da 17a. Bienal de São Paulo. São Paulo: 1983, p. 3. 8 CARVALHO, Flávio de. Traje e trópico in Trópico & sociologia, pintura, jardim, estudos geográficos, saúde e indústria. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, p. 336. [Obra identificada no corpo do texto pela sigla T&s]. 9 Michael KIRBY considera autoperformance como uma apresentação concebida e performada pela mesma pessoa e também se refere a aspectos autobiográficos dos seus trabalhos. An Introduction in The Drama Review. Auto-Performer Issue. NY: NYU, 1979, p.2. Comente aqui:
Flávio de Carvalho no lançamento de seu Traje de Verão, em 1957 Zeca Ligiéro Estas experiências apresentam características díspares, mas expõem as principais preocupações do vigoroso pensador e prolixo artista plástico e engenheiro. Nelas o autor se mostra simultaneamente em sintonia com os principais movimentos europeus de vanguarda e com a realidade encontrada no país tropical, após o seu retorno de um longo período de estudos no Velho Mundo, onde permanecera por aproximadamente dez anos, tendo concluído o seu curso de engenharia civil no Armstrong College, University of Durham (Inglaterra). Ele chegou ao Brasil alguns meses depois dos principais eventos da célebre Semana de Arte Moderna de 1922. Embora tenha se tornado amigo e colaborador de alguns dos principais líderes de 22, não foi influenciado diretamente pelo movimento, mas pelas mesmas idéias internacionais que inspiraram seus líderes brasileiros. Na Europa, ele havia entrado em contato com o Expressionismo, o Futurismo, o Dadaísmo, e conhecido pessoalmente os principais artistas do Surrealismo que estava eclodindo naquele momento. Tanto nas ações de 1931 como nas de 1956, Flávio se mostra precursor de um tipo de performance interdisciplinar que, incorporando conceitos de psicologia, antropologia, artes plásticas e teatro, seria conceituada e vivenciada por um grande contingente de artistas a partir do final da década de 60. Flávio de Carvalho conduziu essas pesquisas sempre preocupado com uma resposta do público e para isso utilizou um critério bastante pessoal, que considerou científico. Embora tenha desenvolvido teorias próprias a respeito da experiência, utilizando complicadas teses baseadas nas teorias de Freud, Nietzsche e Darwin, nosso estudo não abordará tais questões e será focado na parte da experiência que concerne a performance e a dinâmica de seus elementos. A manchete no jornal O Estado de S. Paulo assim destacava a notícia sobre a performance de Flávio de Carvalho: NA PROCISSÃO, UMA EXPERIÊNCIA SOBRE A PSICOLOGIA DAS MULTIDÕES DA QUAL RESULTOU SÉRIO DISTÚRBIO, e detalhadamente descrevia o acontecimento. Domingo, às 15 horas, quando desfilava pelas ruas do centro da cidade a procissão de Corpus Christi, um rapaz muito bem posto, que se achava na esquina da rua Direita e Praça do Patriarca, não se descobriu, conservando ostensivamente seu chapéu na cabeça. Os crentes, que acompanhavam o cortejo, revoltaram-se com esta atitude e exigiram em altos brados que ele se descobrisse. Ele, no entanto, sorrindo para a turba, não tirou o chapéu, embora o clamor da multidão já se tivesse transformado em franca ameaça. Foi então que inúmeros populares tentaram linchá-lo, investindo contra ele. O rapaz pôs-se em fuga, ocultando-se na Leiteria Campo Bello, situada à rua São Bento, até onde foi perseguido pelos mais exaltados. O sub-delegado de plantão na Polícia Central compareceu ao local, onde deu garantias ao moço, protegendo-o contra a ira do povo. Na Polícia Central para onde foi conduzido, declarou a vítima da exaltação popular o engenheiro Flávio de Carvalho, de 31 anos de idade, residente à Praça Oswaldo Cruz, 1. Nas suas declarações, disse que há tempos se vem dedicando a estudos sobre a psicologia das multidões e tem mesmo alguns trabalhos inéditos sobre a matéria. Para melhor orientação dos seus estudos, resolvera fazer uma experiência sobre a "capacidade agressiva de uma massa religiosa à resistência das forças das leis civis, ou determinar se a força da crença é maior do que a força da lei e do respeito à vida humana".3 Wilson Martins considerou que a Experiência número 2 estava relacionada com os debates da época sobre os esforços da Igreja Católica para recuperar o poder perdido pela nova constituição.4 É possível que a experiência de Flávio de Carvalho tenha alimentado algum debate sobre atitudes seculares e os contextos religiosos, entretanto, mais do que isso, ela revelou como o povo brasileiro estava possuído por um fanatismo religioso que sobrepujava mesmo os direitos de liberdade de crença religiosa. Entretanto, as intenções de Flávio de Carvalho estavam muito mais relacionadas com as questões da eficácia da performance do que a de um possível engajamento ou protesto político. Embora o simples ato de não remover o chapéu (boné) naquele contexto poderia ser interpretado como uma implícita confrontação com o poder da Igreja Católica, esta não era a intenção de Flávio de Carvalho, como ele mesmo declarou na polícia. Ele estava esperando uma violenta reação da multidão quando ele planejou a sua experiência. Em outras palavras, preparou-se para fazer uma interferência, uma performance, concebendo o evento como tal. Escreveu um livro com o mesmo título da performance: Experiência número 2, no qual relata minuciosamente todas as etapas da sua ação.5 Contemplei por algum tempo este movimento estranho de fé colorida, quando me ocorreu a idéia de fazer uma experiência, desvendar a alma dos crentes; por meio de um reagente qualquer que permitisse estudar a reação nas fisionomias, nos gestos, no passo, no olhar, sentir enfim o pulso do ambiente, palpar fisicamente a emoção tempestuosa da alma coletiva, registrar o escoamento dessa emoção, provocar a revolta para ver alguma coisa inconsciente. Dei meia volta, subi rapidamente em direção da catedral, tomei um elétrico, e meia hora depois voltava munido de um boné.[E2, 8] As intenções de envolvimento do público em sua ação antecipam as preocupações do Teatro ambientalista estudado por Richard Schechner a partir dos enviroments de Allan Kaprow.6 Flávio de Carvalho, em seu livro, também descreveu detalhadamente como atuou, preocupado com o seu relacionamento espacial, procurando uma melhor visibilidade para a sua figura no meio da rua: Tomei logo a resolução de passar em revista o cortejo, conservando o meu chapéu na cabeça e andando em direção oposta a que ele seguia para melhor observar o efeito do meu ato ímpio na fisionomia dos crentes. A minha altura, acima do normal, me tornava mais visível, destacando a minha arrogância, e facilitando a tarefa de chamar atenção. A princípio me olhavam com espanto ¿ me refiro à assistência, porque aqueles que eram da procissão se portavam diferentemente, eles eram os eleitos de deus, os escolhidos, e formavam uma massa em movimento lento, contrastando em qualidade com a assistência imóvel; eram, portanto, praticamente, o único movimento de todo o imenso percurso da procissão, e esta situação de movimento naturalmente exigia o monopólio da atenção geral, e uma presença perturbadora como era a minha deveria influir diretamente na procissão em movimento e na assistência.[E2, 9-10] No começo as reações não eram exatamente como ele esperava, ele então tentou uma nova estratégia, procurando um efeito dramático, caminhando mais perto da procissão e flertando com algumas fiéis, uma manobra teatral de bastante efeito sem dúvida. Uma delas, porém, destoou claramente das outras. Era uma moça alta, um tanto cheia, tinha o nariz arcado e segurava um estandarte. Ela se parecia mais com um sargento da cavalaria que com a filha da Virgem, seu olhar francamente agressivo me escrutava. Não podia ouvir o que ela dizia em voz baixa a sua companheira, mas os seus lábios pareciam proferir injúrias do mais baixo calão. Tenho certeza de que se estivesse ao seu alcance seria unhado e mordido sem reservas.[E2, 14] Mas logo a multidão se enfureceu, abandonando o cortejo e partindo para uma ação agressiva contra ele, como ele próprio descreve: Abri os meus braços num gesto patriarcal e patético expliquei com doçura: "eu sou um contra mil..." a agitação imediatamente cresceu e todos pareciam discutir indecisos entre si. Repeti novamente o que queria dizer. O barulho da discussão aumentou o volume. Fiquei parado sem saber o que fazer, temendo me retirar bruscamente porque sem dúvida seria esmagado e estraçalhado. [...] A massa tinha reagido pela emotividade ancestral, e não pelo raciocínio. [...] Olhei para as caras a minha frente, todas homicidas, vindicativas, revoltadas, todas em expectativas. [...] Um rumor de desagrado percorreu a multidão, "mata... pega..." gritou alguém. [...] Estava prestes a largar o verbo quando alguém grita "lincha!"; vejo uma parte da multidão que quer se precipitar sobre mim, mas é acidentalmente impedida pela confusão reinante.[E2, 18-24] Flávio então teve a idéia de atravessar a procissão por dentro, como a única fuga possível, o que provocou um engarrafamento dentro do cortejo, e lhe permitiu escapar com vida adentrando em seguida em uma leiteria repleta de senhoras e crianças. Ele penetrou na cozinha e saiu pelo quintal fugindo para o teto de uma casa, aterrorizado, imaginando o seu fim ao ser dividido em postas, devorado pela multidão enfurecida. Felizmente a polícia chegou a tempo levando-o para a prisão, impedindo o trágico desenrolar dessa performance vital. A polícia, quando acionada, esperava encontrar um terrorista, mas a impecável elegância de Flávio de Carvalho e o seu status de engenheiro fez com que ele e sua experiência fossem encarados de outra forma. Ele tinha escolhido a roupa perfeita, considerada por vários jornalistas como de excelente tecido e caimento. Ele tinha a consciência de que um gentleman seria melhor tratado do que um maltrapilho ou mesmo uma pessoa comum. Não era um mendigo ou um bêbado que estava se opondo a um ritual oficial, era um gentleman. Talvez por isso a polícia tenha chegado a tempo de protegê-lo, libertando-o após o seu depoimento. A Experiência número 2, apesar de seus ingredientes anticlericais e de choque contra a burguesia, não pode ser considerada apenas como uma manifestação de ocasião, ligada a movimentos como o Futurismo ou Dadaísmo. Sem dúvida, ela incorporou deles uma abordagem de vanguarda ao estabelecer a rua como um espaço de confronto com o público, entretanto aqui estava em jogo não apenas um manifesto ou um protesto, mas uma experiência com a reação do público, inserindo-se, portanto, dentro de um contexto dos happenings e dos enviroments. Walter Zanini classificou a performance de Flávio de Carvalho de ação comportamental como prática psicológica e sociológica,7 atividade que se encaixa perfeitamente dentro das propostas lúdico-sensoriais da década de 60. A Experiência número 3 consistiu em um passeio pelo centro de São Paulo com uma roupa unissex, por ele concebida, pensando na elegância, comodidade e higiene do verão das grandes cidades. Ele criou este estilo de roupa por duas razões: primeiro, ele acreditava que era necessário criar uma moda unissex, como consequência do já existente nivelamento entre homens e mulheres; ambos deviam dividir o mesmo tipo de roupa.8 Segundo, ele acreditava que era necessário criar um tipo de roupa para executivo adequado para os trópicos. Ele estava convencido de que as roupas deles ¿ ternos europeus de tecido de casimira inglesa ou brim ¿ eram impróprios para o calor do verão, porque não tinham ventilação e eram portanto anti-higiênicos. Apesar da brutal diferença climática, a moda brasileira insistia em imitar o estilo dark europeu, adotando pesados casacos, chapéus de feltro, calças de lã e gravatas largas e compridas. Assim Flávio de Carvalho criou um estilo de roupa com buracos na altura do sovaco que permitia a renovação do ar entre o corpo e o tecido e enquanto o movimento das pernas permitiam a renovação do ar entre a saia e as pernas.[T&s] O colarinho devia ser largo e não devia obstruir a circulação do sangue. Sua existência era apenas para psicologicamente favorecer a quem sofria de complexo de inferioridade.[T&s] As meias mais adequadas eram as do tipo arrastão que ele encontrou em uma loja de balé. Sua função era a de esconder as veias que certas pessoas têm.[T&s] A jaqueta bem aberta tanto na cintura como no colarinho permitia a circulação vertical do ar dentro da roupa. Para a sandália, como não teve tempo de pensar em nada exclusivo, adotou um modelo comum. A inusitada roupa de Flávio de Carvalho provocou choque e muita controvérsia em São Paulo. Desta vez não era a Igreja nem a Polícia que se sentiam agredidas por suas performances, mas os homens em geral. Ele deixou a própria imprensa perplexa com a sua proposta. Alguns acreditaram que ele era um louco, outros que era um homossexual exibicionista. Ele desfilou pelas ruas pelo menos duas vezes, como atestam duas fotos apresentando modelos de blusa ligeiramente diferentes, e em uma, ele exibe um chapéu branco. Na primeira, Flávio de Carvalho é seguido por uma multidão de homens curiosos, incrédulos e fascinados pela elegância do performer, que apesar da saia e da meia arrastão, não demonstra nenhuma feminilidade em seu andar. Numa das fotos, Flávio, de braços dados com um solidário motorista ou cobrador de bonde, atravessa a rua descontraidamente, também seguido por um número de inquietos e curiosos homens. [v. foto p. 104] Se a roupa de Flávio de Carvalho era realmente eficiente para o verão ninguém além dele pode saber com exatidão. Após o escândalo das suas aparições nas ruas, ele deu muitas palestras explicando a sua eficácia e a sua vantagem no mundo contemporâneo. Ele pregou a moda unissex, que dez anos depois, abalaria as velhas estruturas conservadoras. Os homens não chegaram a adotar saias, mas as mulheres por sua vez, passaram a usar as roupas masculinas. Além disso, as minissaias mostradas por ele, por coincidência ou não, tornaram-se a coqueluche dos anos 60. Em 1967, o traje de verão criado por Flávio de Carvalho foi novamente tema de discussão no Seminário Tropical, ocorrido no Recife, que reuniu uma série de debates sobre sociologia, arte, saúde e roupa nos trópicos. Novamente, o traje de verão trouxe muitas polêmicas inconclusivas sobre a sua eficácia. Mas como foi usado na performance nunca foi discutido. Se Flávio de Carvalho queria saber a reação da pessoa comum da rua ou criar um novo escândalo ninguém pode saber ao certo. O que parece mais plausível é que ele estava preocupado em mostrar o seu trabalho artístico, o que consistia na exibição do seu próprio corpo num traje considerado apropriado para a média da temperatura do seu ambiente. Era importante sentir a roupa e sentir-se bem dentro dela. Assim, Flávio antecipa as discussões trazidas por Hélio Oiticica e seus Parangolés e outros artistas como Lygia Clark na década de 60 e 70. Não teria sido a própria discussão provocada por Flávio de Carvalho no final da década de 50 sobre a importância do trópico no vestir-se, comportar-se e performar-se influente no Movimento Tropicalista das décadas subseqüentes? Essa é uma questão para novas pesquisas. Em suas performances, Flávio de Carvalho não estava tentando copiar ou representar ninguém. Poderíamos incluí-lo na categoria do auto-performer, ou do self-performer, uma vez que o material trabalhado pertencia exclusivamente ao próprio autor,9 ou considerá-lo como um artista vivenciando o seu próprio trabalho na forma de uma performance caminhante. Embora Flávio de Carvalho não tenha alcançado a sua meta de obter uma base científica para seu trabalho, nem ter sido reconhecido o valor científico das suas experiências, a importância das mesmas no campo do estudo da performance é enorme. Ele não fala em nenhum momento de teatro, mas suas experiências de rua estão bem próximas do Teatro Invisível de Augusto Boal ou do Teatro de Guerrilla norte-americano nas décadas subseqüentes. Suas experiências inauguraram no Brasil um novo campo de pesquisa criando as primeiras performances de vanguarda na rua e envolvendo em acontecimentos exclusivos distintas categorias do saber como a psicologia, a história da moda e a antropologia, e do criar como as artes plásticas, o teatro e a literatura. Zeca Ligiéro, doutor no Estudo da Performance na NYU e professor do Programa de Pós-Graduação em Teatro da Uni-Rio. Artigo extraído, na íntegra, do site: www.unirio.br Comente aqui: Segunda-feira, Março 15, 2004
Comente aqui: Quarta-feira, Março 10, 2004
01 - Dia do Turismo 03 - Dia do Meteorologista e dos Dirigentes das Sociedades Desportivas, Culturais e Assistenciais 05 - Dia do Filatelista Brasileiro 08 - Dia Internacional da Mulher 09 - Dia das Sociedades de Amigos de Bairro e Aniversário de fundação do município de Joinville - SC. 10 - Dia do Telefone e do Sogro 11 - Dia do Motociclista 12 - Dia do Bibliotecário 14 - Dia Nacional da Poesia, dos Animais e Dia do Vendedor de Livros 15 - Dia Internacional do Consumidor, Dia do Circo e Dia da Escola 17 - Dia Internacional da Marinha 19 - Dia do Artesão, do Carpinteiro, do Funcionário Público Municipal, da Escola, do Livro, de São José e do Marceneiro. 20 - Dia da Fundação da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - EBCT 21 - Dia do Outono, Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, Dia Internacional da Floresta e da Infância. 22 - Dia Internacional da Água 23 - Dia Internacional do Meteorologista e Dia da Juventude 26 - Dia do Cacau e do Chocolate 27 - Dia Mundial do Teatro, do Circo e do Artista Circense 28 - Dia do Revisor e do Diagramador 29 - Dia da Fundação da Cidade de Salvador 31 - Dia do Aniversário da Revolução de 1964, Dia da Integração Nacional e Dia da Saúde e Nutrição Fonte: O Vizinho Comente aqui: Segunda-feira, Março 08, 2004
Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo. O QUE SE PRETENDE COM A CELEBRAÇÃO DESTE DIA Pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à mulher. Fonte: http://www.eselx.ipl.pt/ciencias-sociais/Temas/direitos_mulher/ Comente aqui: Terça-feira, Fevereiro 24, 2004
Comente aqui: Domingo, Fevereiro 15, 2004
Não se esqueçam de atrasar seus relógios em uma hora, pois terminou o horário de verão! ;-) Comente aqui: Domingo, Fevereiro 08, 2004
Se liga, galera de Sampa!!!!! ![]() nesta terça, dia 10 de Fevereiro R$ 10; R$ 5 (usuário matriculado, idosos e estudantes com carteirinha), R$ 4 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes). Dia 10/2, terça, 21 horas. Telefone: 3815-3999. nesta quarta, dia 11 de Fevereiro Quando: 11/02 quarta, às 21h30min. Onde: na área de convivência do SESC Bauru - Avenida Aureliano Cardia, 6-71 - Bauru - SP Ingressos: R$ 8,00; R$ 4,00 (matriculados,estudantes com comprovante e maiores de 60 anos). Mais informações: (14) 235-1750 / email@bauru.sescsp.org.br Imperdível, hein, galera? Quem for, por favor, não deixe de nos contar como foi!!!! Bom show a todos!!!! :-) Zé Renato - Grupo de Discussão Venham nos conhecer, e participar deste grupo maravilhoso! Pode ter certeza de que irá valer a pena! Serão muito bem vindos!!!!! :-) Comente aqui: Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
* Matéria publicada no Jornal "O Globo" SEGUNDO CADERNO
A despeito de ser o lançamento de seu mais recente disco, "Minha praia" (Biscoito Fino), ou um recital com algumas das principais canções que compôs e interpretou ao longo da vida, o show que Zé Renato leva no Mistura Fina revela, isto sim, uma certa visão da música brasileira contemporânea. Uma visão que pode se resumir no culto, tão emepebista, da riqueza harmônica e da qualidade poética. Ou melhor, no caso de Zé Renato - um cantor e compositor tão comprometido com a expressão contemporânea - na crença de que é possível, com esses elementos, seguir adiante na linha evolutiva da MPB. Talvez não por acaso Zé Renato abra o show com "Andorinha", canção que resume tal visão: é melódica e harmonicamente riquíssima, letra de Paulo César Pinheiro cuidadosamente simples, de mestre; mas é também uma canção carregada de novidades ao trazer para o idioma da música brasileira uma estrutura de morna cabo-verdiana. (Antes, Ná Ozzetti e Itamar Assumpção já singraram os caminhos da música de Cabo Verde na coladeira "Canto em qualquer canto". Mas esta era puramente cabo-verdiana, enquanto "Andorinha" é antropofagicamente emepebista, uma influência nova). Edu, Milton e samba aparecem como influências Entre o tradicional e o novo, assim são as coisas na visão da música de Zé Renato. Tanto que, em seguida, ele ataca um samba-canção de feição clássica, "Algum lugar" (sobre letra redonda de Capinam), e um samba todo misturado tão ao gosto da música carioca atual, "Na São Sebastião", sobre letra toda fragmentada de Lenine (que, como a de Capinam, é uma ode a uma menina conhecida por acaso na rua). Adiante, como numa síntese entre os dois tipos de samba, vem "Fica melhor assim", bossa nova de Zé Renato e Xico Chaves resgatada de 1983 para o novo disco, de invulgar influência jobiniana e letra tão boa ("Eu vou você fica/Fica melhor assim/Meu Rio de Janeiro aceso atrás de mim/Os mares são palavras/Que deixo pra você...") que dá pena Xico Chaves ser letrista tão bissexto. Como no disco, o que é ressaltado no show é a faceta de compositor de Zé Renato. Faceta tão rica que pode se dar na revitalização da música rural brasileira ("Quem tem a viola"), numa parceria com Arnaldo Antunes com melodia que lembra as canções urbanas de Alceu Valença ("Insônia") ou em música para teatro com Hamilton Vaz Pereira ("Benefício"). Mas a tal visão que Zé Renato tem da música brasileira fica ainda mais cristalina nas canções dos outros que escolhe interpretar. E, justamente, o que se vê é a opção pela música de harmonia complexa (mas não hermética) e letra com o padrão de qualidade da música de Noel, Vinicius e Chico. Assim, ele interpreta "Outubro", uma das mais ousadas composições da juventude de seu ídolo, Milton Nascimento, lançada em 1967 mas até hoje desconcertante em termos harmônicos e poéticos (na letra de Fernando Brant). Ou redescobre a épica "Canudos", de Edu Lobo e Cacaso, do disco "Camaleão", de 1978, o primeiro a contar com os vocais do Boca Livre.
Sem abusar da extensão vocal Do samba, outra influência na música de Zé Renato - que já dedicou discos a Zé Keti ("Natural do Rio de Janeiro"), Silvio Caldas ("Arranha-céu"), Chico Buarque e Noel Rosa ("Filosofia"), à própria produção sambística ("Cabô"), e dividiu vocais no gênero com Elton Medeiros e Mariana de Moraes ("A alegria continua") - ele pinça, coerentemente, músicas das mais elaboradas: "Folhas no ar" (Elton Medeiros e Herminio Bello de Carvalho), "Diz que fui por aí" (Zé Keti), "Pela décima vez", de Noel. Como cantor, Zé Renato está mais comedido, não abusa da extensão vocal, o que confere mais beleza às interpretações - e este comedimento talvez seja a maior lição que o ex-cantor do Boca Livre tomou no intenso mergulho que fez no universo do samba. Claro que, para isso, muito contribui o quarteto de acento brasileiro-jazzístico que o acompanha, sobretudo a guitarra de Ricardo Silveira. Como o bom violão de Zé dá conta do recado na base harmônica, Silveira (que acompanha Zé Renato desde a banda Zil, no fim dos anos 80) fica livre para enriquecer os arranjos com acordes inesperados. "Minha praia", o show, faz jus ao título ao expor todo um universo autoral . Mas, mais do que isso, é uma proposta, nada comum hoje em dia, de uma certa estética moderna para a música brasileira. Comente aqui: Terça-feira, Janeiro 27, 2004
Divulgando o trabalho e memória de Flávio de Carvalho Uma das idéias do NAC é divulgar as obras do artista e arquiteto Flávio de Carvalho, um dos propulsores da era modernista, nascido no distrito de Amparo. Flávio de Carvalho, na visão de diversos especialistas, foi um profissional multimídia, pois era arquiteto, artista plástico, escritor e autor de peças de teatro. Ele apenas nasceu em Barra Mansa, foi criado na Europa. Flávio de Carvalho era membro de uma influente família de fazendeiros produtores de café. A casa em que nasceu existe até hoje -, conta Jorge. O artista era considerado um tanto quanto avançado para sua época, década de 20. Ele mesmo projetou a casa em que morou na cidade de Valinhos (SP), uma obra futurista. A peça de teatro Balada do Deus Morto, foi considerada pelas pessoas da época muito desrespeitosa, sendo impedida de ser apresentada. Ele criou o que chamou de roupa adequada para os trópicos, que era uma saia que poderia ser usada por homens; sendo assim, vestiu a idéia e saiu pelas ruas de São Paulo, desfilando, relembra Jorge, completando: Lúcio Costa fala em um vídeo, editado pelos alunos da PUC de Campinas (SP), que ele foi o propulsor do modernismo e das obras de Oscar Niemeyer. A idéia do NAC é divulgar a obra e trabalho dessa figura barramansense, sobre quem já foram realizados dois seminários no Sesc, nos anos de 2001 e 2003, com especialistas do ramo de artes plásticas, arquitetura e literatura, em que foi debatida a contribuição de Flávio de Carvalho para todos esses segmentos.
Núcleo de Ação Cultural Flavio de Carvalho tem acervo literário das mais diversas especialidades
![]() Matéria publicada em 27 de Janeiro de 2004. Comente aqui: Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
Está iniciando hoje, no Núcleo de Ação Cultural Flávio de Carvalho, o curso de ESPERANTO. É o curso inicial. Será ministrado todas as quintas-feiras, das 19 às 21 horas, na sede do Núcleo. Duração: 06 (seis) semanas (Primeiro Módulo). * As aulas são gratuitas * O Livro poderá ser adquirido no local, ao preço de R$ 6,00 (seis reais). Os interessados poderão fazer sua inscrição e garantir sua vaga (ainda há tempo!), no: NÚCLEO DE AÇÃO CULTURAL FLÁVIO DE CARVALHO Rua Doutor Mário Ramos, nº 273-A - Centro (ao lado do Posto de Gasolina) Barra Mansa - RJ. Telefones: (24) 3322-8800 / (24) 9271-5374 / (24) 9841-7663 (falar com Sandra ou Luciane) Venham nos conhecer melhor!!!! Temos outras atividades! Todas interessantes! ;-) |